Quinta feira, dia de shows na Obra. Fui lá pra conferir o show d'As Cobras Malditas e o
King Khan & BBQ. Já tinha um tempo que eu queria ver o show das Cobras Malditas e eu perdi o show do
BBQ ano passado. Não vou ficar aqui punhetando sobre quem são os caras, o pouco que eu sei eu vi no
site da turnê deles.
O que eu quero é falar do show dos caras. Começando pelas Cobras Malditas. Já tinha visto o projeto anterior do vocalista, chamava Black Mambas e era uma dupla em que o vocalista Psycho era acompanhado pelo Marco Butcher, então do
Thee Butcher's Orchestra e agora em projeto solo chamado Uncle Butcher. O som era massa, um cantando e o outro tocando bateria e tocando guitarra, eles abriram o show da
Margaret Doll Rod na Obra.
Mas estou aqui pra falar é do show de quinta! As Cobras Malditas abriram a noite botando fogo na Obra. Uma mistura de punk, blues e soul que não deixou ninguem parado. A performance dos caras também chamou a atenção. Um guitarrista peça rara, que descia no meio do público o tempo todo, um vocalista que parecia uma mistura de
Otis Redding com
Iggy Pop, um guitarrista mais quietão, mas que deve ter um chocalho de cascavel dentro do violão e um baterista que também não deve bater muito bem (da cabeça, pq detonava a bateria). Infelizmente o show acabou meio de repente, mas tudo bem, ainda era só o começo da noite e eu mal imaginava o que me esperava.
Aparecem os caras.
BBQ mais discreto, quietão, com um bonezinho de bicheiro.
King Khan magrelão, com um jeitão de indiano e com um capacete alemão do estilo da primeira guerra, e a cara toda pintada. BBQ senta na bateria, empunha a sua guitarra (?) e começa. Um pé tocando a caixa, outro pé tocando o bumbo, tocando a guitarra e cantando. Na frente do palco, King Khan empunha sua guitarra, canta e dança. Mas dança muito mesmo. Faz a Duck Walk, do
Chuck Berry, performances mistas de
James Brown com axé e coisas do gênero. O cara uma hora fala que ia ter a participação especial de uma garota no vocal e do nada vai pro lado do palco, tira a roupa, ficando so de cueca samba canção, veste um vestidinho, bota uma peruca e desce no meio do público beijando as pessoas (fui lambrecado na bochecha, mas ele lambrecou uma cocota nos peitinho também, então não vamos duvidar da masculinidade do garoto), enquanto isso o BBQ ia fazendo o riff de
Suzy Is a Headbanger, dos
Ramones. King Khan volta ao palco, empunha a guitarra e começa a cantar e a tocar
Out of Time, dos
The Rolling Stones (mas também regravada pelos
Ramones). E depois começa a cantar Suzy is a Headbanger, e volta pra Out of Time. Um puta medley dessas duas músicas que não parecem ter muito a ver. Depois ainda tocaram uma puta versão de
You Can't Put Your Arms Around A Memory, do
Johnny Thunders & the Heartbreakers.
E várias músicas próprias e versões de clássicos do rock de verdade. O show foi basicamente uma mistureba de garage, punk, blues, soul com um tempero canadense e alemão hindu. (esqueci de mencionar no começo, mas o BBQ veio do Canadá e o King Khan da Alemanha). Os caras realmente souberam levar o público nas mãos e fizeram um puta show que com certeza vai ficar na memória. Uma daquelas surpresas que só acontecem quando você se despe dos seus preconceitos e resolve ir ver shows de bandas que mal mal ouviu falar.
Rock and Roll não é feito por DJ's e pistas de dança badaladas, o verdadeiro Rock'n'Roll acontece nos palcos, sejam eles nos grandes festivais, seja nos pequenos muquifos. Rock é feito ao vivo!